
Salmo 84: quão amáveis
Dia 17 de 21 da série Sete Salmos. Ouça aqui mesmo, sem cadastro. Mais abaixo, o texto do episódio, uma oração e de onde vem cada informação.
Narração feita por computador. O texto do episódio é escrito e conferido com as fontes pela redação.
Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos.
2A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do Senhor: o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.
3Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos exércitos, Rei meu e Deus meu.
10Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios.
Salmo 84 (83):1-3, 10Texto da tradução Almeida de 1904, com a grafia de hoje.
Entre parênteses, o número do salmo em algumas Bíblias católicas.
O título traz duas marcas conhecidas desta série. Sobre Gitite, a mesma indicação do Salmo 8. E para os filhos de Coré, a família de cantores dos Salmos 42 e 46.
Spurgeon o chamou de a pérola dos salmos. Se o 23 é o mais popular, escreveu, e o 103 o mais alegre, este é um dos mais doces.
Tabernáculos, no hebraico, é a palavra da morada: Strong a define como residência, da cabana do pastor ao templo. E o salmo repara nos pássaros. Spurgeon leu ali uma inveja: o pardal e a andorinha chegavam até os altares, e quem cantava estava longe.
No versículo 6, há um vale com três nomes. A Almeida de 1904 diz vale das amoreiras. A Vulgata diz vale de lágrimas. O hebraico diz vale de Baca, nome que Strong liga ao verbo chorar.
No versículo 10, estar à porta é um verbo só, que Strong define como esperar na soleira. E o primeiro livro das Crônicas chama os coraítas de guardas dos umbrais do tabernáculo.
Na tradição judaica, o versículo 4, bem-aventurados os que habitam em tua casa, abre a oração Ashrei, rezada três vezes por dia. E Brahms pôs versículos deste salmo no movimento central do seu Réquiem Alemão.
A gravura de hoje não mostra templo nenhum. Mostra gente no meio da colheita do trigo. Alguém levanta os olhos, e vem vindo, pela estrada, a arca. O livro de Samuel diz: viram a arca, e, vendo-a, se alegraram.
O Salmo 84 é saudade de estar perto. E se contenta com pouco: um ninho, uma soleira, um dia só. Um dia nos teus átrios vale mais do que mil.
Talvez hoje o convite seja achar a sua soleira: um minuto de silêncio, no meio do trabalho, para levantar os olhos.
Se quiser, reze com estas palavras, escritas pela nossa redação.
Senhor dos Exércitos, a minha alma tem saudade de ti. Até o pardal achou casa perto do teu altar. Acha um lugar para mim também. Não te peço o lugar mais alto; basta a soleira da tua casa. Dá-me hoje um dia nos teus átrios, mesmo no meio do trabalho. Amém.
Amanhã, o Salmo 100, o que chama todas as terras.
De onde vem o que você ouviu10 fontes
Cada informação do episódio, com o livro, o autor e o ano. Os links levam à fonte.
- iTexto bíblico: A Biblia Sagrada, trad. João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida, American Bible Society, Nova York, 1904, com a grafia de hoje.Bíbliaarchive.orgarchive.org (texto)
- iiC. H. Spurgeon, The Treasury of David, Psalm 84.Tradição protestante históricaarchive.spurgeon.org
- iiiTexto hebraico: Westminster Leningrad Codex 4.20, Open Scriptures Hebrew Bible.Pesquisa históricaraw.githubusercontent.com
- ivJames Strong, A Concise Dictionary of the Words in the Hebrew Bible (1894), edição digital Open Scriptures.Pesquisa históricaraw.githubusercontent.com
- vVulgata, Liber Psalmorum (saltério galicano, grafia da edição de Stuttgart).thelatinlibrary.com
- viA oração Ashrei, verbete «Ashrei».Tradição judaicaen.wikipedia.org
- viiUsos e Brahms, verbete «Psalm 84».Pesquisa históricaen.wikipedia.org
- viiiJohannes Brahms, verbete «A German Requiem (Brahms)».Pesquisa históricaen.wikipedia.org
- ixGravura: Gustave Doré, A volta da arca a Bete-Semes, 1866, via Wikimedia Commons.Arte livre para todoscommons.wikimedia.org
- xTítulo da gravura na edição original: La Sainte Bible selon la Vulgate, Tours, Alfred Mame et fils, 1866, tomo 1, «Table des gravures» (exemplar da Bibliothèque nationale de France no Internet Archive).archive.org
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